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Escola Pernambucana de Circo

Entre malabarismos, acrobacias, palhaçaria e muito compromisso social, equilibra-se com maestria um dos maiores projetos socioculturais do Nordeste, e mesmo do Brasil: a Escola Pernambucana de Circo (EPC). A organização não governamental, criada em Recife no ano de 1996, completou 25 anos de atuação em 2021, tendo como missão promover a inclusão de crianças, adolescentes e jovens das classes populares, por meio das artes, especificamente o Circo, fortalecendo sua identidade cultural, o vínculo social e os valores da cidadania. Uma instituição multifacetada que sempre teve como premissa a Pedagogia do Circo Social, cuja perspectiva de promoção da cidadania e transformação social é regida por meio da arte circense e pelo explícito conteúdo social, político e cultural que a permeia. Uma ONG criada e gerenciada por gente que acredita em gente, com atendimento gratuito e aberta ao público geral.

 

A Escola foi fundada por um grupo de Educadores e Artistas populares, inquietos com a situação de boa parte das crianças e adolescentes da cidade, sobretudo, do Centro do Recife, que se viam com seus direitos básicos negados, principalmente os de educação, cultura e lazer.

 

Sendo batizada por ninguém menos do que Ariano Suassuna com a sua razão social – Grande Circo Arraial – a Escola Pernambucana de Circo, nome fantasia e pelo qual o empreendimento ganhou fama, teve o seu processo pedagógico construído inicialmente com crianças e adolescentes que frequentavam o entorno do bairro do Recife Antigo. Foi na Torre Malakoff onde aconteceram as primeiras aulas. Logo a seguir na União de Moradores da Vila do Buriti e, finalmente, na sede atual, bairro da Macaxeira, conquistada com o apoio da Agencia de Cooperação Internacional OXFAM.

 

Hoje, com o nome de “Brincar e Aprender para Crescer com Você”, cunhado pelos próprios educandos do projeto, o atendimento às crianças e adolescentes é realizado, também, com a colaboração do Conselho Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente do Recife (COMDICA), por meio do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FMCA). O projeto é destinado a crianças dos 06 aos 10 anos e adolescentes dos 11 aos 16. O objetivo é que, por meio das aulas de circo, eles exercitem o trabalho coletivo, estimulem a criatividade e alimentem sua autoestima. Já passaram pelo projeto mais de 3 mil crianças e adolescentes nestas mais de duas décadas de atendimento. A EPC ainda estende suas atividades para além dos muros e, por vezes, leva ao público externo atividades a exemplo das desenvolvidas com socioeducandos de várias casas de acolhimento da cidade.

 

O conceito de Circo Social, cujo termo foi cunhado no Rio de Janeiro, viria depois, estruturado a partir de uma articulação com uma rede fundada pela EPC e outras instituições. A Rede Circo do Mundo Brasil atua em todo território nacional com instituições que trabalham com a Pedagogia do Circo Social, tendo papel fundamental na sedimentação de Políticas Públicas para este segmento e no fortalecimento das entidades. Atualmente, a EPC tem um papel de destaque neste lugar por ser a única fundadora que se mantém na rede e, desde 2014, tornou-se um Centro de Referência na Formação de Educadores de Circo Social, com o reconhecimento da própria Rede e do Programa de Formação do Cirque Du Soleil.

 

Nestes mais de 20 anos de atividades ininterruptas, a EPC firmou-se como uma instituição consolidada que atua em diversos nichos das artes circenses, incluindo a construção de espetáculos. Até agora, já foram mais de 10 montados como Presepadas, Ilusão – Um Ensaio Melodramático Circense, O Vendedor de Caranguejo e Um Dia de Circo na Praia. Um dos mais recentes deles, Flores Fortes, abordou a questão da sororidade e violência contra a mulher. Todas estas apresentações são encenadas pelo braço artístico da EPC, a Trupe Circus, composta por 15 componentes, que também está presente em várias ações do calendário de eventos do Estado. Um grupo que já esteve, inclusive, em agendas internacionais como o 1° Foro Mundial das Alternativas dos Mais Excluídos, promovido pela Emmaus Internacional, na Suíça (2018), e o FestiCirco no Peru (2016), além de conferências, simpósios e congressos em países como Argentina e Uruguai.

 

O resultado de um trabalho tão sedimentado em todo o estado, região e mesmo nacionalmente pode ser verificado pela quantidade e diversificação de premiações já recebidas pela EPC, a exemplo do Prêmio Bahaí de Cidadania (2003); Escola Viva do Programa Cultura Viva – Ministério da Cultura do Governo Federal – Minc (2007) e o Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo da Funarte-Minc, ganho por 07 vezes (2004, 2005, 2006, 2009, 2010, 2013 e 2014). Em 2010 recebeu o Prêmio Orilaxé (A Cabeça tem o Poder de transformação) do Grupo Cultural Afro Reggae na categoria Projeto Social. Em 2013 foi a instituição vencedora da região NE do Prêmio Itaú Unicef. Em 2018, foi finalista nacional do mesmo prêmio. A Escola também foi reconhecida pelo Minc da Cultura como Ponto de Cultura no ano de 2004 e pelo Governo do Estado em 2010.

 

Em 2016, ganhou o importante Título de Utilidade Pública municipal, em reconhecimento à importância do seu trabalho nas artes e na educação para a cidade do Recife. Possui registro no COMDICA, CMAS e ABONG e atualmente integra a Comissão Setorial de Cultura e o Conselho Estadual de Política Cultural no segmento Circo, ambos do Governo do Estado.

 

Tanta notoriedade e credibilidade mostram o quanto o trabalho da EPC é transparente, legítimo e necessário, devendo, assim, manter-se em plena atividade. Para isto, entretanto, precisa-se de investimento. Desde o princípio, a EPC sempre contou com grandes parceiros que ajudaram efetivamente na construção e permanência dessa causa e foram fundamentais para garantirmos o nível de excelência com que atuamos. Gente essa que sempre acreditou no propósito da EPC. Até hoje, desde a sua fundação, foram mais de 1.500 apoiadores, dos mais diversos segmentos como a Fundação Itaú Unicef, o Banco BNDES, FASE, Petrobrás, Empresas Copergaz, Vivo Telefonia, Rede Globo e Unesco com o Criança Esperança.

 

Investir na EPC é contribuir para um futuro melhor de nossas crianças, adolescentes e jovens, com um mundo mais justo e menos desigual para todos. E você, o que está esperando para conhecer melhor esta grande experiência? Vem ver como é linda a EPC e porque que é aqui que tudo acontece!